quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Roda Viva


Oi!

Eu me achei um pouco chata com o post de hoje. Não quero ficar falando sempre da mesma coisa - vestibular. Então, para me redimir, vou postar um música muito bonita para mudar os ares do blog. ; )

Chico Buarque - Roda Viva

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...

Roda mundo roda gigante
Roda moinho, pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente

Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá
(**Refrão**)

A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá
(**Refrão**)

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...

Viagem longa, destino incerto...

Oi!

É, eu voltei mesmo às aulas! A correiria voltou e agora vem acompanhada de vestibular. Ainda não estou fazendo as provas, mas as várias horas na escola e as outras estudando em casa são justificadas pelo bendito.
Já que eu falei de vestibular (e ainda vou falar muito dele aqui), vou colocar trechos de um texto de Rubem Alves falando sobre a escolha da profissão. Como é difícil e que devemos escolher aquilo que queremos.Eu gostei muito do texto, pois aqui na minha cidade existe uma idéia de que profissão boa é a de médico ou advogado. Com isso muita gente faz faculdade de uma coisa que nem gosta, e pior, porque o pai ou a mãe mandaram. Isso é um tremendo erro, já que conheço muita gente que não faz ideía do que fazer e já que não sabe, vai fazer medicina.Nada contra a medicina, acho lindo pra quem gosta. Mas só pra quem gosta.

"Esse é o mês em que sofro mais por causa de vocês, moços. Tenho dó. Ainda nem deixaram de ser adolescentes, e já são obrigados a comprar passagens para um destino desconhecido, passagens só de ida, as de volta são difíceis, raras, há uma longa lista de espera.
Em Minas, onde nasci, se diz que para se conhecer uma pessoa é preciso comer um saco de sal com ela. Os apaixonados desacreditam. Quem é acometido da febre da paixão desaprende a astúcia do pensamento, fica abobalhado, e passa a repetir as asneiras que os apaixonados têm repetido pelos séculos afora: "Ah! mãe, ele é diferente..." "Eu sei que o meu amor por ela é eterno. Sem ela eu morro..." E assim se casam, sem a paciência de comer um saco de sal. Se tivessem paciência descobririam a verdade de um outro ditado: "Por fora bela viola; por dentro pão bolorento..."
Coisa muito parecida acontece com a profissão: a gente se apaixona pela bela viola, e só tarde demais, no meio do saco de sal, se dá conta do pão bolorento.
Todas as profissões têm seus uniformes, suas belas imagens, sua estética. Por isso nos apaixonamos e compramos o bilhete de ida... Mas a profissão não é isso. Por fora bela viola, por dentro pão bolorento...
Uma amiga me contou, feliz, que uma parente querida havia passado no vestibular de engenharia. "Que engenharia?", perguntei. "Civil", ela respondeu. "Por que esta escolha?" - insisti. "É que ela gosta muito de matemática". Pensei então na bela imagem do engenheiro - régua de cálculo, compasso e prumo nas mãos, em busca do ponto de apoio onde a alavanca levantaria o mundo! "Se ela tanto ama a matemática talvez tivesse feito melhor escolha estudando matemática".
Engenheiro, hoje, mexe pouco com matemática. Tudo já está definido em programas de computador. O dia a dia da maioria dos engenheiros é tomar conta de peão em canteiro de obra..."
Isso vale para todas as profissões. É preciso perguntar: "Como será o meu dia a dia, enquanto como o saco de sal que não se acaba nunca?"
Mas há outros destinos, outros trens. Desejo a vocês uma boa viagem. (...) Se, no meio da viagem, sentirem enjôo ou não gostarem dos cenários, puxem a alavanca de emergência e caiam fora. Se, depois de chegar lá, ouvirem falar de um destino mais alegre, ponham a mochila nas costas, e procurem um outro destino. Carpe Diem!"

Quem quiser ler o restante do texto entre nesse site: Projeto Releituras/vestibulares

bjins

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Achado da web

Olá!

Vou colocar um texto aqui que não é meu. Na verdade eu o li em um outro blog que gosto muito. Ele fala sobre a infância nas grandes cidades, mais precisamente a do Bruno (dono do blog) e também - como fui descobrir mais tarde - tecladista do Los Hermanos. O texto é muito interessante e descreve a infância dele em Copacabana que é muito parecida com a de qualquer criança hoje em dia.

"Quando me convidaram para escrever um texto sobre minha turma da rua percebi que não seria a pessoa mais indicada para discorrer sobre o tema. Eu nunca, em tempo algum, tive uma turma da rua. Depois comecei a achar que poderia ser interessante somar minha experiência às outras que estão aqui. Será que são tão diferentes assim? Vamos descobrir:

Amêndoa, essa é a única fruta que se pode encontrar no perímetro urbano de uma grande cidade. Pensando bem, nem sei se amêndoa é uma fruta, um fruto, ou uma flor, porque a amêndoa era a única coisa que eu podia ver cair das copas das árvores. Na verdade, puxando um pouco pela memória, puxando alguns quarteirões pra trás, havia ainda a jaboticaba, que pintava o chão da pracinha de roxo e a flor cabeluda, rosa e branca, que me dava tanto prazer tosar com meus pequeninos dedos. Com muita sorte era possível encontrar um abacate estourado no chão, ou mesmo uma manga melada e despedaçada, esquecida por algum morcego. De resto era calçada, asfalto, hidrante, prédio e canteiro.

Vivi toda minha infância em Copacabana, um bairro surreal onde a praia é a flora, e prostitutas, mendigos, pivetes e camelôs, a fauna. Essa era a minha turma da rua.

Da janela eu via a cidade acontecendo nas freiadas dos ônibus, nos papos roubados, ouvidos pela metade, no letreiro do bar, apagando e ascendendo para um novo dia, na garagem automática içando carros para dormirem, um prédio só de carros! Em meu pequeno quarto, a televisão era a janela para o mundo, e por ela eu via as outras vidas, as histórias que meus playmobis cansaram de encenar. De vez em quando era tempo da feira de animais e, como saldo, ao final da visita, um peixe num saco plástico ou um pintinho. Eu sempre escolhia o pintinho. Foram muitas as tentativas de colonizá-los para que servissem de montaria para meus bonecos do He-Man. Aprendi, no entanto, que os pintos não aceitam adestramento e, quando jovens galináceos cacarejando no sofá, somem subtamente, pro sítio ou pra panela do porteiro.

Os pintos, no entanto, se relacionavam muito bem com minha tartaruga, que foi arremessada pela lixeira do prédio porque a empregada não soube interpretar seu período de ibernação. Lembro-me também de um passarinho que despencou em sua gaiola do décimo quinto andar, mas foi reanimado com massagem cardíaca de dedo indicador pelo meu pai. E como não me lembrar da maritaca querendo se passar por papagaio? O bicho não proferiu uma só palavra e, em duas semanas, morreu, vítima de cirrose, na tese de não-me-lembro-quem, que disse ter ouvido que o minúsculo fígado de uma ave não absorve doses constantes de conhaque, bebida que lhe era administrada para que pudesse aparentar euforia no momento em que era vendida.

Superada a frustração por tantas tentativas mal sucedidas de ter um bicho de estimação, me sobraram o vídeogame, a bola de gude de carpete e a pipa.

Soltar pipa era pra quem sabia, no Aterro do Flamengo; centenas delas dançando no ar, tendo por cenário a Baía de Guanabara e o Pão de Açúcar, e ai de quem chegasse lá sem um cerolzinho caprichado; eu perdia uma atrás da outra, apesar da insistência do meu pai em me transformar num ás do pinote. Os amigos da escola às vezes visitavam e havia as amizades da praia, mas nessas, vocês sabem, nunca se pode confiar muito.

E mais ou menos assim foi a minha infância urbana. Talvez para quem cresceu em uma cidade pequena ou num bairro afastado, esses relatos possam parecer insólitos, tristes, mas a verdade é que tive uma infância feliz. Cresci no bairro mais animado do mundo, num lugar absolutamente atípico, onde era possível rolar na areia da praia pela manhã e, à tarde, receber no colo um mundo de informações. Bastava estar de olhos abertos para entender as coisas, bastava ouvir, eu estava justo onde tudo acontecia, ninguém me contou, eu vi. E, certamente, se hoje tenho um apreço pela escrita, essa capacidade de observar, e absorver, surgiu como uma necessidade de decodificar o que estava a minha volta, e era muito."


Texto do blog Instante Anterior

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Volta às aulas e um pouco mais


Olá!

Essa semana voltei a estudar. Minhas férias passaram voando. Esse ano eu vou fazer vestibular. Vou decidi o que eu vou fazer pelo resto da minha vida. Credo... hehehe dá até medo de falar isso! Tudo bem que eu posso mudar de profissão, mas saber que uma coisa que eu vou decidir hoje pode determinar toda a minha vida é meio assustador.

Pelo menos eu não tenho aquele tipo de dúvida infeliz do tipo: ah, eu não sei se quero medicina ou engenharia. Eu sei que eu quero alguma coisa da área de humanas e acho bem improvável que mude de opinião. Depois de dentro da área de humanas é mais fácil "rodar" todas as profissões. Eu sei disso porque minha irmã é jornalista. Ela começou em revistas pequenas até de angenharia, mas já trabalhou na área de cinema, livros, relações internacionais... Isso me deixa mais calma quanto ao que fazer. Mas o mais difícil mesmo é passar para a faculdade. Eu quero fazer para o Rio e para São Paulo e o vestibular de SP é bem mais difícil do que o daqui do Rio.

Bem, vamos ver no que vai dar. Até o ano que vem eu terei essas respostas. ;)
Como eu não queria ficar só falando de estudos, resolvi colocar aqui dois trechinhos de dois livros que eu li nessas férias e que eu gostei muito.

Tudo se Ilumina (Everything is Illuminated) de Jonathan Safran Foer

"Acho que é por isso que me delicio tanto em escrever para você. Assim consigo ser como não sou, mas como desejo que Pequeno Igor me veja. Consigo ser engraçado, pois tenho tempo para meditar sobre como ser engraçado, consigo reparar meus erros quando eu desempenho erros, e consigo ser uma pessoa melancólica de formas que são interessantes, não pura melancolia. Ao escrever, nós recebemos segundas chances."


Leviatã de Paul Auster

"Até o mais forte era um fraco, disse para mim mesmo; até o mais destemido não tinha coragem; até o mais sábio era ignorante."

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Fernando Pessoa

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"Sou uma grande máquina movida por grandes correias
De que só vejo a parte que pega nos meus tambores
O resto vai para além dos astros, passa para além dos sóis
E nunca parece chegar ao tambor donde parte...
Meu corpo é o centro de um volante estupendo e infinito
Em marcha sempre vertiginosamente em torno de si
Cruzando-se em todas as direções com outros volantes
Que se enterpenetram e misturam, porque isso não é no espaço
Mas não sei onde espacial de uma outra maneira - Deus
Dentro de mim estão presos e atados ao chão
Todos os movimentos que compõem o universo
A fúria minuciosa e dos átomos
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos
A espuma furiosa de todos os rios, que se precipitam
Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilibrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma"

Fernando Pessoa

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Limonada de Morango?

Olá!

Como eu tinha prometido, eu vou explicar o nome desse blog. A primeira explicação é bem fácil: a minha falta de criatividade.
Mas no caso desse blog foi um pouco mais que isso.

Uma vez, num filme uma personagem falou alguma coisa sobre como algumas palavras combinam uma com a outra formando uma coombinação perfeita. Ou pelo menos, que era perfeita para ela. Não que eu ache Strawberry Lemonade a combinação perfeita de palavras, mas toda vez que eu escuto Talk Tonight do Oasis e chega na parte

"All your dreams are made
Of Strawberry lemonade"

minha imaginação vai longe. O que que ele quis dizer com essa frase? Para mim ela ao mesmo tempo faz todo sentido e sentido nenhum. Eu não sei se vocês entenderam o que eu queria dizer ou se isso tudo não passou de um monte de loucura, mas pra mim fez algum sentido colocar esse nome no meu blog. Porque por mais que eu escreva mais para vocês do que para mim, ele é um diário onde eu escrevo, ou tento escrever, coisas que passam pela minha cabeça ou que eu leio e acho interessante e que podem significar muitas coisas para vocês ou nada.

Nas minhas procuras por algum símbolo para o blog acabei descobrindo que realmente existe uma "limonada de morango" e para provar, aqui vai o rótulo de uma limonada de morango.
bjins