Viagem longa, destino incerto...
Oi!
É, eu voltei mesmo às aulas! A correiria voltou e agora vem acompanhada de vestibular. Ainda não estou fazendo as provas, mas as várias horas na escola e as outras estudando em casa são justificadas pelo bendito.
Já que eu falei de vestibular (e ainda vou falar muito dele aqui), vou colocar trechos de um texto de Rubem Alves falando sobre a escolha da profissão. Como é difícil e que devemos escolher aquilo que queremos.Eu gostei muito do texto, pois aqui na minha cidade existe uma idéia de que profissão boa é a de médico ou advogado. Com isso muita gente faz faculdade de uma coisa que nem gosta, e pior, porque o pai ou a mãe mandaram. Isso é um tremendo erro, já que conheço muita gente que não faz ideía do que fazer e já que não sabe, vai fazer medicina.Nada contra a medicina, acho lindo pra quem gosta. Mas só pra quem gosta.
"Esse é o mês em que sofro mais por causa de vocês, moços. Tenho dó. Ainda nem deixaram de ser adolescentes, e já são obrigados a comprar passagens para um destino desconhecido, passagens só de ida, as de volta são difíceis, raras, há uma longa lista de espera.
Em Minas, onde nasci, se diz que para se conhecer uma pessoa é preciso comer um saco de sal com ela. Os apaixonados desacreditam. Quem é acometido da febre da paixão desaprende a astúcia do pensamento, fica abobalhado, e passa a repetir as asneiras que os apaixonados têm repetido pelos séculos afora: "Ah! mãe, ele é diferente..." "Eu sei que o meu amor por ela é eterno. Sem ela eu morro..." E assim se casam, sem a paciência de comer um saco de sal. Se tivessem paciência descobririam a verdade de um outro ditado: "Por fora bela viola; por dentro pão bolorento..."
Coisa muito parecida acontece com a profissão: a gente se apaixona pela bela viola, e só tarde demais, no meio do saco de sal, se dá conta do pão bolorento.
Todas as profissões têm seus uniformes, suas belas imagens, sua estética. Por isso nos apaixonamos e compramos o bilhete de ida... Mas a profissão não é isso. Por fora bela viola, por dentro pão bolorento...
Uma amiga me contou, feliz, que uma parente querida havia passado no vestibular de engenharia. "Que engenharia?", perguntei. "Civil", ela respondeu. "Por que esta escolha?" - insisti. "É que ela gosta muito de matemática". Pensei então na bela imagem do engenheiro - régua de cálculo, compasso e prumo nas mãos, em busca do ponto de apoio onde a alavanca levantaria o mundo! "Se ela tanto ama a matemática talvez tivesse feito melhor escolha estudando matemática".
Engenheiro, hoje, mexe pouco com matemática. Tudo já está definido em programas de computador. O dia a dia da maioria dos engenheiros é tomar conta de peão em canteiro de obra..."
Isso vale para todas as profissões. É preciso perguntar: "Como será o meu dia a dia, enquanto como o saco de sal que não se acaba nunca?"
Mas há outros destinos, outros trens. Desejo a vocês uma boa viagem. (...) Se, no meio da viagem, sentirem enjôo ou não gostarem dos cenários, puxem a alavanca de emergência e caiam fora. Se, depois de chegar lá, ouvirem falar de um destino mais alegre, ponham a mochila nas costas, e procurem um outro destino. Carpe Diem!"
É, eu voltei mesmo às aulas! A correiria voltou e agora vem acompanhada de vestibular. Ainda não estou fazendo as provas, mas as várias horas na escola e as outras estudando em casa são justificadas pelo bendito.
Já que eu falei de vestibular (e ainda vou falar muito dele aqui), vou colocar trechos de um texto de Rubem Alves falando sobre a escolha da profissão. Como é difícil e que devemos escolher aquilo que queremos.Eu gostei muito do texto, pois aqui na minha cidade existe uma idéia de que profissão boa é a de médico ou advogado. Com isso muita gente faz faculdade de uma coisa que nem gosta, e pior, porque o pai ou a mãe mandaram. Isso é um tremendo erro, já que conheço muita gente que não faz ideía do que fazer e já que não sabe, vai fazer medicina.Nada contra a medicina, acho lindo pra quem gosta. Mas só pra quem gosta.
"Esse é o mês em que sofro mais por causa de vocês, moços. Tenho dó. Ainda nem deixaram de ser adolescentes, e já são obrigados a comprar passagens para um destino desconhecido, passagens só de ida, as de volta são difíceis, raras, há uma longa lista de espera.
Em Minas, onde nasci, se diz que para se conhecer uma pessoa é preciso comer um saco de sal com ela. Os apaixonados desacreditam. Quem é acometido da febre da paixão desaprende a astúcia do pensamento, fica abobalhado, e passa a repetir as asneiras que os apaixonados têm repetido pelos séculos afora: "Ah! mãe, ele é diferente..." "Eu sei que o meu amor por ela é eterno. Sem ela eu morro..." E assim se casam, sem a paciência de comer um saco de sal. Se tivessem paciência descobririam a verdade de um outro ditado: "Por fora bela viola; por dentro pão bolorento..."
Coisa muito parecida acontece com a profissão: a gente se apaixona pela bela viola, e só tarde demais, no meio do saco de sal, se dá conta do pão bolorento.
Todas as profissões têm seus uniformes, suas belas imagens, sua estética. Por isso nos apaixonamos e compramos o bilhete de ida... Mas a profissão não é isso. Por fora bela viola, por dentro pão bolorento...
Uma amiga me contou, feliz, que uma parente querida havia passado no vestibular de engenharia. "Que engenharia?", perguntei. "Civil", ela respondeu. "Por que esta escolha?" - insisti. "É que ela gosta muito de matemática". Pensei então na bela imagem do engenheiro - régua de cálculo, compasso e prumo nas mãos, em busca do ponto de apoio onde a alavanca levantaria o mundo! "Se ela tanto ama a matemática talvez tivesse feito melhor escolha estudando matemática".
Engenheiro, hoje, mexe pouco com matemática. Tudo já está definido em programas de computador. O dia a dia da maioria dos engenheiros é tomar conta de peão em canteiro de obra..."
Isso vale para todas as profissões. É preciso perguntar: "Como será o meu dia a dia, enquanto como o saco de sal que não se acaba nunca?"
Mas há outros destinos, outros trens. Desejo a vocês uma boa viagem. (...) Se, no meio da viagem, sentirem enjôo ou não gostarem dos cenários, puxem a alavanca de emergência e caiam fora. Se, depois de chegar lá, ouvirem falar de um destino mais alegre, ponham a mochila nas costas, e procurem um outro destino. Carpe Diem!"
Quem quiser ler o restante do texto entre nesse site: Projeto Releituras/vestibulares
bjins

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